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Dino afirma que Valdemar desviou R$ 119 milhões do orçamento secreto e pede bloqueio de bens

As suspeitas são de que ele tenha desviado a destinação de 21 emendas parlamentares mesmo sem exercer mandato eletivo

10/07/2026 às 14h56
Por: Jatiassi Danilo Fonte: Estadão Conteúdo
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Presidente do PL, Valdemar Costa Neto - Foto: Marcello Casal Jr/Agência Brasil
Presidente do PL, Valdemar Costa Neto - Foto: Marcello Casal Jr/Agência Brasil

O ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Flávio Dino determinou o bloqueio de até R$ 119 milhões de bens do presidente do Partido Liberal (PL), Valdemar Costa Neto, por suspeitas de que ele tenha desviado a destinação de 21 emendas parlamentares mesmo sem exercer mandato eletivo.

Segundo a investigação da Polícia Federal, o dirigente teria utilizado servidores da Câmara dos Deputados para direcionar a ele mesmo recursos do ‘orçamento secreto’ - caso revelado pelo Estadão em maio de 2021.

A reportagem pediu manifestação de Valdemar sobre a decisão. O espaço está aberto.

"Não restam dúvidas de que as ações ora investigadas causaram prejuízo ao erário, no ponto em que emendas representativas de mais de R$ 119 milhões foram forjadamente encaminhadas e desviadas.

O fato de que um terceiro não atuante no parlamento brasileiro tinha o poder e a ingerência sobre o direcionamento do orçamento público é gravíssimo e materializa o que de mais nefasto há em termos de desvios envolvendo o tema do orçamento secreto", anotou o ministro na decisão de 34 páginas.

"Se tomarmos o mais condescendente dos quadros, e considerarmos os desvios 'apenas' das emendas já pagas, temos uma consolidação de um desvio de R$ 104 milhões", diz trecho do relatório da PF enviado a Dino. Os investigadores suspeitam que o presidente do PL - condenado pelos crimes de corrupção passiva e lavagem de dinheiro no Mensalão - foi "beneficiário" direto dos R$ 104 milhões desviados.

A investigação da Polícia Federal na Operação Transparência, deflagrada em dezembro de 2025, aponta que Valdemar "contava com autonomia para direcionar recursos de emendas conforme sua cota pessoal e particular, atribuída a partir de sua condição de presidente da sigla".

O direcionamento das emendas, segundo a PF, era operado por Mariângela Fialek, conhecida como "Tuca", ex-assessora do deputado federal e ex-presidente da Câmara Arthur Lira (PP-AL).

Ela trabalhou no gabinete de Lira entre março de 2021 e o início de 2025, quando passou a atuar na liderança do Progressistas (PP) na Casa, partido do ex-presidente da Câmara.

Principal alvo da Operação Transparência, Mariângela Fialek teve seu aparelho celular analisado pela Polícia Federal, que constatou um "arranjo decisório paralelo" para a destinação de verbas públicas, no qual Valdemar aparece como responsável pela definição e pelo remanejamento de emendas.

"No caso analisado, um não parlamentar, ex-deputado cassado, presidente de uma importante sigla do Congresso, dispõe dos serviços de Fialek e de outros servidores da Câmara dos Deputados para destinar recursos conforme seus interesses, em sintomas inequívocos do cometimento dos crimes de peculato", escreveu Dino.

Planilhas do 'VCN'
Os federais à frente da Operação Transparência relataram ao ministro Flávio Dino que planilhas eram formalizadas com indicações diretas de emendas atribuídas a Valdemar. As planilhas eram tratadas, analisadas e condensadas por servidores da Câmara dos Deputados antes do encaminhamento aos ministérios

Segundo a investigação, as emendas eram registradas em nome de deputados federais, que apareciam como responsáveis pelas solicitações, embora a definição dos recursos partisse de Valdemar. Para a PF, esse procedimento dava aparência de legalidade às indicações feitas pelo presidente do PL.

"Conforme se observa, fala-se de um volume considerável de emendas parlamentares indicadas por uma pessoa não detentora de mandato.

Ainda que algumas planilhas não tenham capacitado a completa identificação dos valores destinados ao ex-deputado, algumas conversações delineiam que os patamares financeiros reservados ao investigado eram absolutamente significativos", afirmou Dino na decisão.

É nesse contexto investigativo que surge Nara Benedetti Nicolau Brum, servidora da Câmara dos Deputados lotada na liderança do PL, apontada como agente central na engrenagem de tratamento e encaminhamento de emendas parlamentares por Valdemar.

A partir dos diálogos coletados na Operação Transparência, a PF afirma que Nara atuava na viabilização técnica das emendas, mantendo interlocução constante com Mariângela Fialek, a 'Tuca'. Segundo os investigadores, ela encaminhava planilhas e solicitava ajustes nos destinos e áreas temáticas das emendas.

A PF destaca que, ao longo das comunicações, Nara fazia referências recorrentes a indicações qualificadas como sendo "do Valdemar" ou "do VCN", abreviação que, no contexto dos diálogos, se referia a Valdemar Costa Neto.

Essas menções estavam associadas a "valores expressivos" e a demandas específicas nas áreas de saúde, turismo e esporte, principalmente para municípios de São Paulo.

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