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Mulheres da Amazônia se unem para enfrentar as mudanças climáticas

Processo de observação é a base para o trabalho

13/07/2026 às 14h21
Por: Jatiassi Danilo Fonte: Agência Brasil
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Mulheres da Amazônia se unem para enfrentar as mudanças climáticas - Foto: Fase/Divulgação
Mulheres da Amazônia se unem para enfrentar as mudanças climáticas - Foto: Fase/Divulgação

A organização de mulheres da Amazônia em associações e cooperativas tem impulsionado iniciativas nas comunidades tradicionais para a proteção dos territórios e o enfrentamento às mudanças climáticas. Juntas, elas constroem soluções e trocam experiências que barram a perda de biodiversidade, geram renda e aumentam a segurança alimentar.

A agricultora Daniela Araújo conta que aprendeu desde cedo, na tradição, que o açaí saboroso exige tempo para ser colhido. É preciso esperar que o fruto saía da cor verde, passe pelo tom roxo escuro, fique preto, até ficar com uma sutil camada esbranquiçada, ou “tuíra”.

Foi na observação de um dos principais alimentos para o nortista, que ela e outras mulheres responsáveis pela colheita percebem a mudança climática no território da comunidade de Pirocaba, no município de Abaetetuba, no nordeste paraense.

Segundo Daniela, os longos períodos de seca e chuvas fora de hora têm causado uma mudança na forma como o fruto amadurece. 

“Agora, ou tu apanhas [colhes] o açaí, ou tu perdes. Ele vai secar. E pra não perder, às vezes tu apanhas ele sem ficar totalmente preto, ou tuíra, como a gente fazia antes”, explica.

A diminuição do alimento oferecido pela floresta natural não é percebida só no território de Pirocaba. Muitas comunidades ribeirinhas, quilombolas, indígenas e da agricultura familiar vivenciam o mesmo impacto.

Iniciativas
Foi a partir desse conhecimento tradicional que a organização social FASE Amazônia (Federação de Órgãos para Assistência Social e Educacional) iniciou, em 2023, um projeto em 14 municípios paraenses para o fortalecimento da soberania alimentar e a autonomia das mulheres, sob a ótica da justiça climática e da garantia dos direitos territoriais.

Sara Pereira, coordenadora da FASE Amazônia, explica que foram trabalhadas várias frentes, como a implantação de sistemas agroflorestais, a formação de lideranças femininas e a incidência sobre políticas públicas para acesso à titulação dos territórios.

Também foram trabalhados, segundo Sara, o escoamento da produção por mercados institucionais e feiras locais, além do fortalecimento da governança comunitária, como os protocolos de consulta prévia livre informada e a elaboração de planos de gestão comunitária.

Coletivos
A partir das bases lançadas pelo programa, as mulheres se reuniram em coletivos e construíram juntas soluções para fortalecer a produção de alimentos saudáveis e para proteger o território, as florestas e as águas.

“Esse é um projeto que foi executado durante três anos. Então, a gente teve um tempo bastante importante para fazer essas observações e chegar à conclusão de que as alternativas e soluções estão aqui mesmo nos territórios”, avalia Sara.

Monitoramento
Além das bases para que o projeto fosse desenvolvido, também foi adotada a caderneta agroecológica. Uma ferramenta de acompanhamento da produção e das mudanças climáticas.

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