O período das férias escolares no meio do ano é sempre um momento muito aguardado pelas crianças, que passam a ter mais tempo disponível para brincar. Entretanto, os pais e responsáveis precisam ter cuidado para não transformar a descontração em acidentes domésticos.
Segundo estudo divulgado pela Sociedade Brasileira de Pediatria (SBP) em 2021, há um aumento de até 25% nos acidentes domésticos com crianças durante o período de recesso.
As crianças ficam mais vulneráveis a sofrer quedas, queimaduras, afogamentos, intoxicações e cortes dentro das residências ou em áreas de convivência.
Prevenção
O primeiro-tenente do Corpo de Bombeiros Militar de Pernambuco (CBMPE), Victor Resque, considera que a correlação entre a maior presença de crianças em ambientes domésticos e de lazer pode aumentar a exposição dos pequenos a situações de risco.
Dessa forma, os pais precisam atuar de forma preventiva para diminuir as chances de acidentes domésticos.
"Nós entendemos que a prevenção é a melhor opção para salvar vidas. Por exemplo, é preciso educar quanto aos cuidados com crianças na cozinha. Não estimular essas crianças a brincarem com fogo ou até mesmo cozinharem desacompanhadas", detalhou.
O primeiro-tenente Resque também alerta sobre quedas. Recomenda que sejam instaladas telas e que as famílias não deixem, de forma alguma, crianças se projetarem para fora da sacada, de janelas ou varandas e também devem evitar colocar o corpo no vão de queda.
Para as famílias que moram em locais com piscinas ou que frequentam clubes e parques aquáticos, o principal reforço é para "nunca deixar crianças fazendo uso de piscina de forma desacompanhada e desassistida" e também pela "a utilização de coletes de flutuação e não meramente boias", completou o primeiro-tenente Resque.
Produtos de limpeza e medicamentos, que podem provocar intoxicações, devem ser isolados e deixados longe do campo de visão dos pequenos não só no período das férias, mas ao longo de todo o ano.
"Uma sugestão seria armários suspensos que não estejam ao alcance dos pequenos ou armários com fechaduras. Eles podem ser úteis para evitar o contato das crianças com produtos perigosos", disse, alertando ainda para que as tomadas sejam tampadas com protetores.
O que fazer em caso de acidente?
Avaliar os riscos e manter um ambiente seguro para as crianças é dever dos pais. No entanto, situações podem acontecer de forma leve ou até grave.
A coordenadora médica da Pediatria do IMIP, Tereza Rebecca, explica que cada fase da infância tem vulnerabilidades específicas e os acidentes mais comuns são resultados dessas condições.
Por exemplo, os bebês estão suscetíveis à ingestão de corpo estranho, enquanto as crianças em idade pré-escolar ou maiores passam a estar mais sujeitas a quedas e acidentes em piscinas.
"Os primeiros socorros dependem de qual o tipo de acidente. O mais importante é frisar que a prevenção acima de tudo, caso aconteça, é importante que sejam identificados os alertas", iniciou a pediatra.
Em caso de queda, os adultos devem observar se a criança apresenta indício de desmaio, convulsão ou vômito. "São sinais que devem levar a uma emergência. Se for uma queda menor, que a criança siga bem e esteja em observação em casa, colocar gelo", observou.
Já em situações de intoxicações, deve-se levar a criança ao serviço de urgência para identificar o tipo de substância que causou a contaminação.
"Algo muito importante é manter a calma para que a criança esteja calma. Tentar entender o que ocorreu de fato para agir sem desespero. Entre os erros mais frequentes estão colocar substâncias como pomadas e pasta de dentes em queimaduras e ferimentos", alertou.
Outras recomendações da médica são sempre ter em casa um kit de primeiros socorros com gaze estéril, curativos e antissépticos. Além disso, lembrar dos contatos e pessoas que podem ajudar em casos de risco.
Exemplos
A realidade para cuidar de crianças no período das férias escolares é ainda mais desafiadora para os responsáveis que trabalham de casa.
Renata Solano é confeiteira e faz suas produções diariamente na própria residência. Ela precisa conciliar o trabalho com os cuidados com Lucas, de 5 anos.
"Normalmente o período da tarde é quando as crianças estão na escola e eu trabalhando. Nesse momento das férias, eu inverto. Tento me colocar pela manhã para trabalhar e à tarde estar livre. Meu esposo [Hélio Gurgel] normalmente está em casa pela manhã, então a gente consegue dividir essas tarefas", relatou.
Por trabalhar diretamente na cozinha e ter o forno ligado na maior parte do tempo, Renata tem uma preocupação em manter o filho fora do ambiente. "Lucas agora já tem um pouco de entendimento, a gente evita que ele vá para a cozinha. Então, quando eu estou trabalhando, eu oriento que ele não entre”.
Em caso de emergência com crianças dentro de casa, os números 193, do Corpo de Bombeiros, e 192, do Samu, estão à disposição da população.