Publicidade

As reviravoltas da política

A política brasileira voltou a mostrar nesta semana por que é marcada por reviravoltas. O ex-prefeito do Recife, João Campos (PSB), uma das principais lideranças de Pernambuco, foi alvo de uma série de provocações durante o período eleitoral. A mais repercutida veio do deputado federal Nikolas Ferreira (PL-MG), que em uma afirmação no Recife, referiu-se a Campos como “desempregado”. A declaração, em tom provocativo, ganhou um grande alcance e dividiu opiniões, reforçando o clima de polarização que marcou a disputa. O que era para ser um ataque, no entanto, acabou gerando efeito contrário. Para João Campos, o cenário representa uma oportunidade. Liderança consolidada no PSB e com forte capital político no Nordeste, ele passa a ser visto como um dos nomes ministeriais do Presidente Lula

28/10/2026 às 07h42 Atualizada em 28/10/2026 às 09h37
Por: Leañ Souza
Compartilhe:
Fonte: psb40.org.br
Fonte: psb40.org.br

As reviravoltas da política: João Campos dá a volta por cima após ataques de Nikolas Ferreira

A trajetória política de João Campos (PSB) voltou a ganhar destaque em meio às disputas e provocações que marcaram a semana da eleição presidencial. O ex-prefeito do Recife, uma das principais lideranças de Pernambuco, foi alvo de inúmeras provocações durante a disputa. Entre elas, a do deputado federal Nikolas Ferreira (PL), que usou o termo "desempregado" para atacá-lo em um evento político no Recife. A declaração, em tom provocativo, repercutiu entre apoiadores e críticos e reforçou ainda mais o clima de polarização que domina o país.

A reeleição de Lula e o novo cenário que se desenha

Com a vitória de Luiz Inácio Lula da Silva na disputa presidencial contra Flávio Bolsonaro, o campo ligado ao presidente ganhou um novo impulso. Nesse contexto, João Campos permanece em evidência diante das movimentações e alianças que devem definir os rumos da política nacional. A aproximação entre diferentes partidos e o governo federal também coloca Pernambuco em posição de destaque nas discussões sobre investimentos e projetos para o futuro.

Provocações não definem uma trajetória consolidada

O episódio levanta uma questão importante: até que ponto os ataques pessoais contribuem para o debate democrático? Em vez de concentrar a discussão em propostas e resultados, a troca de provocações acaba dominando o noticiário e as redes. Para os seus apoiadores, a trajetória do ex-prefeito deve ser avaliada pela sua atuação pública, pelos indicadores administrativos e pela capacidade de articulação. Ao fim, declarações que hoje ganham repercussão podem perder força, enquanto decisões administrativas e resultados eleitorais tendem a ter consequências mais duradouras.

Da provocação à Esplanada dos Ministérios

O episódio que colocou João Campos no centro das provocações ocorreu durante o chamado Bloquinho 22, evento político no bairro de Boa Viagem, no Recife. Na ocasião, Nikolas fez referência à derrota do socialista na disputa pelo Governo de Pernambuco e incentivou participantes a gritarem "desempregado" no evento. João havia deixado a Prefeitura do Recife para disputar o governo estadual e terminou a eleição sem um mandato eletivo. Agora, a discussão sobre o futuro do presidente nacional do PSB ganhou outra dimensão. Com a vitória de Lula no segundo turno, a formação da equipe do próximo mandato movimenta os bastidores de Brasília, e João Campos entrou na lista de nomes cotados para o Governo Federal.

João Campos pode assumir o Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação

De acordo com a CNN Brasil, João Campos está entre os mais cotados para assumir o Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação. A informação também foi publicada pelo UOL em 25 de outubro, que apontou a pasta como principal objetivo do ex-prefeito na articulação para integrar o novo governo. A possibilidade tem um componente político e familiar. Eduardo Campos, pai de João, comandou o mesmo ministério entre 2004 e 2005, durante o primeiro governo Lula. Uma eventual indicação representaria a continuidade de uma ligação histórica da família com a política nacional e com o PSB. Além disso, João ocupa a presidência nacional do partido, legenda que integra a base de Lula e tem no vice-presidente, Geraldo Alckmin, uma de suas principais lideranças. A escolha, contudo, dependerá das negociações entre o presidente, os partidos aliados e os demais nomes que disputam espaço na Esplanada.

O que pode acontecer agora?

Os próximos passos dependerão das conversas entre Lula e os partidos que formarão a base a partir de janeiro de 2027. Caso seja confirmado no Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação, João Campos poderá ampliar a sua atuação nacional e continuar participando das articulações em Pernambuco. Por enquanto, o que existe é uma possibilidade concreta o suficiente para aparecer em reportagens de diferentes veículos, mas ainda sujeita às negociações da formação ministerial.

Cabe a reflexão

O episódio escancara dois modelos de fazer política em choque. De um lado, a política de performance, baseada em cortes para redes sociais e na desqualificação do adversário. De outro, a política de ocupação de espaços institucionais, baseada em capital partidário, governabilidade e entrega administrativa. O ataque de Nikolas Ferreira a João Campos no Bloquinho 22 rendeu um engajamento imediato, mas não alterou a correlação de forças. Já a cotação de Campos para o Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação, caso seja confirmada, altera três variáveis concretas:

1) Garante ao PSB protagonismo na Esplanada;

2) Reposiciona Pernambuco no centro da distribuição de investimentos federais;

3) Transforma um quadro sem mandato eletivo em um quadro com orçamento nacional e vitrine para 2028.

Essa é a diferença entre lacrar e articular. Na rede, o grito de "desempregado" viraliza por 24 horas. No Planalto, a caneta de ministro dura quatro anos. A roda gira. Mas só para quem permanece no jogo.

Lean Souza - Colunista de política do JDN

* O conteúdo de cada comentário é de responsabilidade de quem realizá-lo. Nos reservamos ao direito de reprovar ou eliminar comentários em desacordo com o propósito do site ou que contenham palavras ofensivas.
500 caracteres restantes.
Comentar
Mostrar mais comentários
Um novo capítulo de Raquel Lyra em Pernambuco e a possibilidade de um projeto nacional
Política Há 2 semanas Em Política

Um novo capítulo de Raquel Lyra em Pernambuco e a possibilidade de um projeto nacional

A vitória de Raquel Lyra representa também novos desafios, dentre eles, avançar na segurança pública, melhorar a saúde e a educação, gerar empregos e reduzir as desigualdades sociais. Ao mesmo tempo, a sua trajetória em Pernambuco pode ampliar a sua projeção nacional. Uma possível candidatura à Presidência da República do Brasil dependerá de alianças partidárias, resultados de gestão e da capacidade de se construir um projeto que dialogue com todo Brasil
Encerramento do primeiro turno em Pernambuco projeta novas configurações no tabuleiro estadual e mantém em debate a capacidade de diálogo e a reorganização das forças políticas
Política Há 2 semanas Em Política

Encerramento do primeiro turno em Pernambuco projeta novas configurações no tabuleiro estadual e mantém em debate a capacidade de diálogo e a reorganização das forças políticas

Resultado do primeiro turno em Pernambuco, com a reeleição de Raquel Lyra (PSD) sobre João Campos (PSB) por 53,25% a 44,82%, encerra a disputa de 2026, mas abre a análise sobre articulação, estratégias de frente ampla e os próximos movimentos do tabuleiro político estadual
MP das Blusinhas que acaba com taxa vai à votação nesta terça
PODER Há 2 meses Em Política

MP das Blusinhas que acaba com taxa vai à votação nesta terça

Comissão mista vai apreciar o relatório da medida provisória. Texto deve incluir dispositivo de avaliação dos impactos da isenção nos setores produtivos
Alcolumbre indica Rodrigo Pacheco para cargo de ministro do TCU, no lugar de Bruno Dantas
INDICAÇÃO Há 2 meses Em Política

Alcolumbre indica Rodrigo Pacheco para cargo de ministro do TCU, no lugar de Bruno Dantas

A vaga de Dantas no TCU faz parte da cota do Congresso Nacional. A Corte de Contas conta com seis nomes indicados pelo Parlamento e três pelo presidente da República
Lenium - Criar site de notícias